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Os Teatros

Parque Mayer

© Arquivo Municipal de Lisboa

A 15 de junho de 1922, o Parque Mayer, abria portas nos jardins do antigo Palácio Lima Mayer, atual Consulado de Espanha. A iniciativa, liderada pelo empresário Luís Galhardo através da Sociedade Avenida Parque, pretendia revitalizar as feiras de divertimentos que existiam desde o século XIX na cidade, como as do Campo Grande ou Amoreiras, transformando-as numa indústria de divertimento.

A nova feira do Parque Mayer, situada num espaço mais nobre da cidade, junto à Avenida da Liberdade, tinha como objetivo abranger um público alargado e pretendia conciliar o gosto de outrora às exigências dos novos tempos. Além de casas de comes e bebes, feiras típicas e bailes, oferecia diversas animações populares e, sobretudo, um género de teatro musicado muito apreciado pelos lisboetas desde o século XIX, a revista. Foi através dela e da atividade vibrante dos seus teatros —  Maria Vitória (1922), Variedades (1926), Capitólio (1931) e ABC (1956) — que o Parque Mayer se afirmou e consolidou.

Estas salas de espetáculos e de fruição cultural acolheram centenas de espetáculos de variedades, teatro declamado, operetas, cabarés, cinema, mas contribuíram sobretudo para o aprimoramento do teatro de revista. Inicialmente muito focados nos seus textos de forte crítica social e humor, à medida  que a procura ia aumentando, as produções foram-se tornando cada vez mais complexas e cuidadas, tornando-se num espaço de aprendizagem e de consagração para artistas, autores e para toda uma classe artística que convergiu naquele espaço até, aproximadamente, à década de 1960.

Após o 25 de Abril, o género foi declinando. Depois de um período de encerramento e de requalificação reabre o Capitólio em 2016 e, em 2024, o Teatro Variedades, com vista a devolver à cidade dois espaços privilegiados de cultura, lazer e liberdade.