Inaugurado em 1931, o Capitólio assumiu, até à década de 1980, um importante papel na vida boémia e na atividade cultural da cidade.
Este cineteatro recebeu ao longo da sua história uma enorme variedade de eventos, desde concertos de música, a cinema ou teatro, passando até por espaço de combates de luta livre, boxe e patinagem.
O edifício, desenhado pelo arquiteto Luís Cristino da Silva, tornou-se numa das suas obras mais significativas do Modernismo em Portugal. Após um longo período fechado ao público, reabriu em 2016, após profundas obras de reabilitação, com projeto de Alberto de Souza Oliveira, sendo distinguido no mesmo ano com o Prémio Valmor.
Atualmente, o espaço mantém uma vocação multidisciplinar, dando palco não só à música, mas também às artes performativas, ao cinema e a projetos sociais e artísticos variados, mantendo-se um espaço vivo no coração da cidade de Lisboa.
Desenvolvimento do projeto para o edifício do Capitólio – inicialmente denominado de El Dorado – pelo arquiteto Luís Cristino da Silva, também responsável pelo pórtico de entrada do Parque Mayer. De matriz modernista, a nova sala de espetáculos é erguida sobre as fundações da antiga Esplanada Egípcia, um dos recintos de convívio do Parque. A sua realização sofre atrasos pela necessidade de acomodar a sala ao recém-surgido cinema sonoro.
O projeto é exposto publicamente na sala dos aguarelistas da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Entrega do projeto nos serviços da C.M.L., numa encomenda da Sociedade Avenida Parque, Lda, detentora do espaço Parque Mayer.
Inauguração do Capitólio, terceira sala de espetáculos do Parque Mayer, pelo empresário Campos Figueira uma vez que Luís Galhardo, a figura de maior destaque da Sociedade, havia falecido.
Instalação de uma cabina de projeção no terraço para sessões de cinema ao ar livre.
Exibição dos filmes portugueses A Severa (1931), de Leitão de Barros, e A canção de Lisboa (1933), de José Cottinelli Telmo.
Obras de transformação da sala de espectáculos, também segundo projeto do Arquitecto Luís Cristino da Silva: criação de um 2.º pavimento para balcão, 27 camarotes e respectivos “foyers” laterais, transferência do proscénio, recuo da ribalta do palco e reconstrução da cabina cinematográfica.
Apresentação ao público português da peça de teatro A alma boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, pela companhia brasileira Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa, que ali apresentou vários espetáculos. Foi a última peça de Brecht a ser representada em Portugal na época do fascismo. Na estreia gerou tumulto entre a plateia por parte de simpatizantes do regime de Salazar que contestaram a peça arremessando objetos para o palco. As representações foram canceladas poucos dias depois.
Raúl Solnado, Carlos Coelho, Humberto Madeira e Vasco Morgado assumem a programação da sala do Capitólio na temporada de 1960/1961. A composição musical de todos os seus espetáculos (não só revistas) estava assegurada pelo maestro Frederico Valério. O primeiro espetáculo de revista apresentado por esta nova “sociedade” foi A vida é bela (1960), de Fernando Santos e Nelson de Barros.
Acolhimento da companhia de Amélia Rey Colaço, após esta ser forçada a sair do Teatro Nacional, em 1964, e no Teatro Avenida, em 1967, por motivo de incêndios em ambos os edifícios. Aí apresenta o espetáculo Equilíbrio Instável, de Edward Albee.
Realização do primeiro Festival Internacional de Magia.
Laura Alves assume a direção da companhia teatral do Capitólio.
Com a abolição da censura, em 1974, este foi o cinema que apresentou, pela primeira vez em Portugal, o filme pornográfico Garganta funda, acabando por se especializar neste tipo de repertório cinematográfico.
É classificado como Imóvel de Interesse Público pelos seus traços modernistas, numa época em que a falta de manutenção e o afastamento do público tinham levado o edifício à degradação.
Acolhimento do espetáculo Ai, cavaquinho de Camilo Oliveira, devido a um incêndio que consumiu o ABC, onde se representava a revista.
Encerramento definitivo do cinema; a Orquestra Metropolitana de Lisboa usa o espaço para os seus ensaios.
Com vista a resgatar o edifício do abandono, é realizada candidatura do Capitólio à World Monuments Watch – 100 Most Endangered Sites, pelo grupo de trabalho ‘Cidadãos pelo Capitólio’, apoiada pelo Arqº José Manuel Fernandes, pelo Museu Nacional do Teatro, pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e pela organização Docomomo International (“Conservation and Documentation of the Modern Movement”, Paris).
Entre numerosas candidaturas internacionais, o Cinema Capitólio é selecionado por um júri constituído por peritos mundiais – representantes da UNESCO (“United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization”) e do ICOMOS (“International Council on Monuments and Sites”) – para integrar a lista bianual World Monuments Watch – 100 Most Endangered Sites de 2006, publicada no âmbito da actividade desenvolvida pela World Monuments Fund (www.wmf.org), organismo privado que tem como objetivo a preservação de lugares com significado histórico, artístico e arquitetónico de todo o mundo.
A Câmara Municipal de Lisboa lança um concurso de ideias com o objetivo de reabilitar o Capitólio, que é ganho pelos arquitetos Manuel Aires Mateus e Alberto Souza Oliveira.
A Sociedade Portuguesa de Autores propõe a atribuição do nome do ator Raul Solnado ao Teatro, mas para que isso se efetivasse “o Capitólio deveria ser remodelado de forma a acolher com a dignidade devida esse novo nome”.
Início do processo de reabilitação deste espaço.
Lançamento de concurso de adjudicação para o fornecimento, colocação e montagem de diversos equipamentos no edifício.
Reabertura ao público do espaço reabilitado com espetáculos, com alteração do arquiteto Alberto Souza Oliveira, projeto que mereceu o Prémio Valmor.